“Palavras Andarilhas” começam 4ª feira para transformar Beja na “cidade dos contos”

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Uma maratona de dez horas de leitura em voz alta vai marcar o décimo encontro “Palavras Andarilhas”, que arranca quarta-feira para “libertar” a “magia” do “faz de conta” e transformar Beja na “cidade dos contos” até domingo.

    Durante a maratona, que vai decorrer sábado, entre as 10:00 e as 20:00, na cafetaria da Biblioteca Municipal de Beja (BMB), para assinalar os dez anos das “Palavras Andarilhas”, um máximo de 60 participantes, durante dez minutos cada um, vão ler em voz alta e sem interrupções contos do clássico da literatura universal “As Mil e Uma Noites”.

Além da maratona, o encontro, organizado pela BMB e Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja para promover o conto, os livros e a leitura, inclui os tradicionais Encontro de Aprendizes do Contar, Festival de Narração, Estafeta de Contos e uma Feira do Livro e da Leitura.

    “Vamos celebrar uma década de contos”, disse à agência Lusa a contadora profissional e organizadora das “Palavras Andarilhas” Cristina Taquelim, realçando a importância do encontro “ímpar, a nível nacional, na promoção do conto, do livro e da leitura”.

    “As ‘Palavras Andarilhas’ têm vindo a impor-se na formação de contadores de ‘estórias’, de narradores e de mediadores de leitura” e já se tornou “o mais antigo evento dedicado à narração oral realizado em Portugal”, frisou a responsável.

    O encontro deste ano, realçou Cristina Taquelim, vai celebrar também os 15 anos da BMB e inclui, como novidades, uma mostra de cinema e um pátio dos contos do mundo.

    “Há muitas maneiras de contar ‘estórias’ e o cinema é uma delas e com grande impacto em todos os públicos”, frisou, explicando que “As histórias ao virar da noite” da mostra de cinema vão ser projectadas num cine-estúdio na cave da BMB, sempre às 00:01 e durante as quatro noites do encontro.

    O pátio da BMB vai acolher o “Pátio dos Contos do Mundo”, “recheado” de livros infantis em várias línguas, como árabe, jugoslavo e checo, e por onde vão passar os contadores de “estórias” presentes no encontro deste ano, explicou Cristina Taquelim.

    A Feira do Livro e da Leitura vai “invadir”, durante os quatro dias do encontro, todo o quarteirão à volta da BMB, com stands de livreiros e de mediadores e projectos de leitura, uma mostra de ilustração, exposições, sessões de contos e ateliers de escrita e de leitura para crianças.

    A Estafeta de Contos vai começar sexta-feira na “Noite dos Contadores Andarilhos”, durante a qual contadores de “estórias”, numa sessão no Castelo de Beja, vão contar contos uns aos outros.

    Após aquela primeira em Beja, as palavras e os contos vão “andar” de “boca em boca” em várias sessões que irão percorrer, durante vários meses, diversas bibliotecas de Norte a Sul do país, explicou Cristina Taquelim, lembrando que, na edição do ano passado, a estafeta durou três meses e percorreu 73 bibliotecas.

    Além de uma primeira sessão no Castelo de Beja, a “Noite dos Contadores Andarilhos”, este ano integrada nas Jornadas Europeias do Património, vai incluir sessões de contos em monumentos de Beja, através da iniciativa “Estórias de monumentos com História”, que passará pelo Museu Regional, Espaço Museológico da Rua do Sembrano e terminará na BMB.

    O Festival de Narração, considerado um dos pontos altos do evento, vai decorrer em vários espaços de Beja, no fim-de-semana, com sessões de contos para “miúdos e graúdos” a cargo de contadores de países como Brasil, Camarões, Chile, França, México, Portugal e Tunísia.

    No Encontro de Aprendizes do Contar, entre sexta-feira e domingo, na BMB, 60 “especialistas do conto” nacionais e estrangeiros vão ensinar a 280 participantes inscritos novas práticas de animação da leitura e de narração oral ao longo de quase 30 conferências e oficinas de formação.

    Entre os conferencistas e formadores, Cristina Taquelim destacou a presença da antropóloga francesa Michèle Petit e dos especialistas em narração oral Rodolfo Castro (México) e Patrício Espinosa (Chile), além dos portugueses Luísa Ducla Soares, Carlos Nogueira e Adriana Baptista.

    O famoso “Era uma vez…” também se vai ouvir vezes sem conta nas escolas básicas do concelho, com sessões de contos através das iniciativas “Era uma vez nas EB 2,3”.

    LL.

    Lusa/Tudoben

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