Papelaria Fernandes: Empresa termina 2009 com facturação na ordem dos cinco milhões

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livroA Papelaria Fernandes estima terminar o ano de 2009 com uma facturação na ordem dos cinco milhões de euros, “menos de metade” em relação ao valor de 2008, ano em que a empresa registou 13 milhões de euros.

Em entrevista à Lusa, o presidente da Papelaria Fernandes, José Morgado Henriques, classificou 2009 como “um ano muito mau” em que “os fornecimentos foram quase incisivos em determinadas alturas em que a papelaria e o retalho tiveram algum fluxo”.

“O resto do ano foi muito atípico pela falta de liquidez desses fornecimentos, que são cruciais para que a facturação possa ser semelhante ao que foi em anos transactos”, afirmou o responsável.

A assinalar os 118 anos de existência, a Papelaria Fernandes enfrenta agora um momento muito delicado, na sequência do plano de insolvência deste grupo, que tem o Millenium BCP como maior accionista.

A proposta do actual presidente alcançou 95 por cento dos votos dos credores e fornecedores, na assembleia-geral de terça-feira, e está agora nas mãos do BCP o passo seguinte, que nos próximos de dias enviará para o Tribunal, por escrito, o seu sentido de voto.

Na origem desta decisão do Tribunal do Comércio de Lisboa estão as alterações às propostas discutidas na terça-feira, sem que o administrador da insolvência tivesse dado conhecimento ao BCP em tempo útil.

Relativamente a esta questão, o presidente da empresa diz estar “totalmente confiante”, explicando que as expectativas são “as melhores”.

“Desde o início, o Millenium BCP tem sido a instituição que mais tem apoiado a Papelaria Fernandes, portanto, a minha perspectiva é a de que o BCP tenha consciência de que aquela casa possa ser uma grande casa e espero que apoiem a nossa proposta”.

Caso o BCP não apoie a actual administração da empresa de retalho, ganhará a segunda proposta, apresentada por Rui Delgado, que propõe a redução de dez estabelecimentos e a abertura de duas lojas substitutas em Leiria e Évora.

Esta reestruturação proposta por José Morgado Henriques implica redução de pessoal e o recurso a outsourcing.

“Neste momento, somos cerca de 177 trabalhadores do grupo do universo Papelaria Fernandes, dos quais absorvemos 80 por cento do grupo, cerca de 130 trabalhadores, porque também achamos que as pessoas que sabem fazer papelaria e que continuam a fazer daquela casa um ícone que foi e é em papelaria, pensamos que estão todas em casa, só precisam de ser despertas”, argumentou.

“Logicamente o nosso projecto assenta em 20 lojas, [por isso] vamos ter que deslocalizar algumas, reformular outras, abrir novas, agora, vamos querer ter o mesmo parque de lojas que temos actualmente” [20 de Norte a Sul do país e uma em Luanda, Angola], assegurou.

Para que a empresa volte a facturar – e o objectivo é atingir uma facturação de 20 milhões de euros em cinco anos – , a papelaria Fernandes necessita de um investimento na ordem dos quatro milhões de euros.

A este propósito, José Morgado Henriques garantiu a existência de um grupo de investidores e que a empresa tem já 80 por cento do capital assegurado.

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Lusa/Fim

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