Património Mundial: Oposição camarária preocupada com futuro do centro histórico de Évora

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A oposição à gestão socialista na Câmara Municipal de Évora mostrou-se  preocupada com o futuro do centro histórico da cidade, classificado há 22 anos como Património da Humanidade, pela UNESCO.

    “Temos assistido nestes últimos seis ou sete anos a um centro histórico que vai morrendo aos poucos”, disse hoje à agência Lusa a vereadora da CDU Clara Grácio a propósito da distinção atribuída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em 1986.

    Para a vereadora comunista, tem havido “uma falta de investimento, tanto no património, como nas pessoas”.

    “Temos de dar condições para que as pessoas vivam bem dentro do centro histórico”, disse Clara Grácio, considerando que, “se os comerciantes tiverem boas oportunidades, também eles continuam cá”.

    António Dieb, vereador do PSD, apontou, por seu turno, “a reabilitação do património, quer o público, quer o privado”, como um dos grandes desafios do centro histórico de Évora, lamentando que “as prioridades tenham sido outras”.

    “Se entendo as prioridades fora do centro histórico, não posso aceitar que o centro histórico continue a ser apenas alvo de boas intenções e de intervenções, mais ou menos apressadas”, disse.

    Apesar das divergências, António Dieb sugere um entendimento entre as forças políticas na Câmara de Évora para “aperfeiçoar” o centro histórico “à vontade de todos”.

    “Não somos donos das melhores soluções. Somos apenas pessoas que têm opiniões e que em face disso as vão discutir e que terão de encontrar o melhor caminho para todos”, afirmou.

    O inestimável valor patrimonial do centro histórico de Évora foi reconhecido a 25 de Novembro de 1986, dia em que o Comité do Património Cultural de Paris anunciou a decisão da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

    A proposta de classificação fora apresentada pela autarquia ao Ministério dos Negócios Estrangeiros cerca de um ano antes, depois de em 1984 ter manifestado essa intenção junto da Comissão Nacional da UNESCO.

    Apontada como “o melhor exemplo de cidade da idade do ouro portuguesa”, após a destruição de Lisboa pelo terramoto de 1755, Évora apresenta imóveis notáveis, como fontes e chafarizes, muralha, aqueduto, conventos, palácios, solares e igrejas, além do Templo Romano, o ex-libris da cidade.

   

    SYM.

    Lusa/Tudoben

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