População de Sobral da Adiça revive susto das cheias de 1997

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ribeira_notMoura, Beja – Na memória dos cerca de mil habitantes de Sobral da Adiça (Moura) está hoje bem vivo o susto apanhado nas cheias de 1997, quando, tal como ontem, as águas da ribeira do Sobral galgaram as margens.

Há 12 anos, contudo, os prejuízos foram mais avultados e as cheias provocaram um morto na terra.

Ontem de manhã, a forte chuvada que fustigou a zona de Sobral da Adiça fez transbordar de novo a ribeira e inundar várias casas, mas não provocou danos pessoais, nem desalojados.

Na zona baixa da aldeia, junto à ribeira que a atravessa, a lama, objectos e ramos de árvores arrastados pelas águas estão a ser limpos,  horas depois da chuva intensa que caiu ter feito a ribeira transbordar e inundar perto de três dezenas de casas.

“As cheias devem ter atingido um pouco mais de 20 habitações e vários estabelecimentos comerciais. Numas casas, a água subiu mais, cerca de um metro, e estragou algumas coisas, como o mobiliário, e noutras subiu menos”, relatou à agência Lusa o presidente da junta de freguesia, João Dinis.

Nas várias casas localizadas a poucos metros da ribeira, a tarde tem sido aproveitada por moradores e bombeiros para procederem à limpeza da lama e escoamento da água do interior das divisões.

Mas, segundo o presidente da junta de freguesia, os estragos não provocaram desalojados.

“Penso que formalmente não há desalojados, porque as pessoas estão a proceder à limpeza das habitações com a intenção de lá pernoitarem, se não continuar a chover. Se continuar, ficarão em casa de familiares”, disse.

João Dinis garantiu que a situação ocorrida  ainda fez recear as cheias de 1997, mas os prejuízos acabaram por ser menores.

“Aí, a situação foi pior, a água subiu mais”, disse, lembrando que na altura, além dos avultados prejuízos, as cheias fizeram também uma vítima mortal, o que não sucedeu hoje, já que não se registaram danos pessoais.

Contudo, o presidente da junta de freguesia considerou que em 12 anos não se tiraram lições das cheias de Novembro de 1997, pois não foi efectuada qualquer intervenção de fundo para regularizar o leito da ribeira.

“O leito da ribeira está precisamente na mesma. Foram feitas limpezas pontuais pela junta e pela câmara, mas era necessário uma intervenção de peso que resolvesse a situação de uma vez por todas e isso passa por regularizar o leito da ribeira, aprofundá-la para levar muito mais água”, disse.

No seu dia de folga, Ana Maria Evangelista, de 51 anos, moradora no número 7 da Rua do Trabalho, nem imaginava que o seu dia de folga do lar em que é funcionária pudesse ser assim tão trabalhoso, enquanto conclui as limpezas da sua casa que foi inundada.

“Quando a chuva começou a cair, isto foi num instante que ficou alagado. Até parecia que estávamos outra vez nas outras cheias grandes”, disse a agência Lusa, agarrada a uma vassoura, enquanto mostra os danos e varre a água do chão.

Uns metros mais à frente, Ernesto Candeias, de 66 anos, também ajudava a filha, dona do minimercado “Limpo”, a “apagar” do chão e das paredes as marcas da subida das águas.

“E a sorte é que pusemos logo estas comportas para travar a entrada da água”, disse, apontando para várias tábuas de madeira, adquiridas após as cheias de 1997, que colocou nas portas de acesso ao estabelecimento.

RRL.

Lusa/Fim

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