divulgados os resultados do Estudo da Prevalência da Diabetes em Portugal

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«São números chocantes. Não podemos descansar um só dia relativamente a esta questão»

Cerca de um terço da população portuguesa tem diabetes ou encontra-se em situação de risco. De acordo com o Estudo da Prevalência da Diabetes em Portugal, 11,7% da população portuguesa é diabética. Mais 5,2% do total que em 2006. O cenário torna-se ainda mais negro quando a estes números se juntam os da pré-diabetes. Um crescimento assustador na opinião unânime das entidades que desenvolveram o estudo, para quem só a união de esforços pode travar o aumento descontrolado.

 

São «números chocantes», na opinião de Francisco George, para quem custa a crer que um terço da população portuguesa seja diabética ou pré-diabética. «Não podemos descansar um só dia relativamente a esta questão», acrescentou. Para o responsável da Direcção Regional de Saúde, a união de esforços apresenta-se como o caminho a percorrer para travar este crescimento.

 

«O combate à diabetes não depende só dos profissionais de saúde. As estruturas da sociedade civil são muito importantes. Temos de trabalhar muito e em conjunto.», reforçou Francisco George, enaltecendo a importância de medidas como este estudo. «Trata-se de um trabalho de grande mérito. Era importante que houvesse um estudo destes, não só para a diabetes, como para outras doenças».

 

«Os números tornam-se realmente alarmantes. O estudo revela que há hoje 2.687.698 portugueses com diabetes ou em situação de risco, o que significa mais de um quarto da população (34,9%).», refere Luis Gardete Correia, Coordenador do Estudo e Presidente da APDP.

 

A 16 anos de distância, os números já passam largamente as projecções de uma incidência de 8,0% em 2025. De acordo com o Estudo da Prevalência da Diabetes em Portugal, 11,7% da população portuguesa é diabética. Segundo os resultados do estudo desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia – SPD através do Observatório Nacional de Diabetes, em conjunto com a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal – APDP, o Instituto de Higiene e Medicina Social da Faculdade de Medicina de Coimbra e com o apoio da Direcção Geral da Saúde – DGS, Portugal tem actualmente 905.035 diabéticos.

 

Em apenas três anos, e tendo como referência os resultados do Inquérito Nacional de Saúde, foram detectados mais 5,5% de novos casos, o que corresponde a um aumento de 44,5% no número de diabéticos. Dos 905.035 casos detectados numa população entre os 20 e os 79 anos, 5,1% desconheciam ter a doença.

 

De referir que a prevalência da diabetes é superior entre a população masculina. 14,2% dos homens portugueses têm diabetes. São também os mais velhos quem apresenta o maior número de casos. Mais de um quarto da população portuguesa entre os 60 e os 79 anos é, actualmente, diabética: 26,3%, correspondentes a 497.485 pessoas. Valores mais baixos registam as faixas etárias entre os 20 – 39 anos (2,4%) e 40 – 59 anos (12,6%).

 

O arquipélago dos Açores foi a região que registou os valores mais elevados do País, com uma prevalência de 14,3%, dos quais 9,2% já diagnosticados e 5,1% com diabetes por diagnosticar. A Região Autónoma da Madeira, por outro lado, foi a que apresentou os valores mais baixos, ligeiramente inferiores à média nacional: 10,9% de diabetes, com 7,4% de casos previamente diagnosticados e 3,4% não diagnosticados.

 

Os valores da Pré-Diabetes são também preocupantes: há actualmente 1.782.663 portugueses com Pré-Diabetes (23,2%), anomalia da glicemia em jejum e diminuição da tolerância à glucose. Uma incidência de 6,7% entre os 20 e os 39 anos, de 26,5% entre os 40 e os 59 anos e de 46,2% entre os 60 e os 79 anos de idade.

 

 

 

Ficha Técnica

 

Nome do estudo: Estudo de Prevalência da Diabetes em Portugal – PREVADIAB-2009

Amostra: 5167 pessoas, estratificadas por sexo e idade (20 aos 79 anos)

Critérios de classificação: Organização Mundial de Saúde (OMS) e Federação Internacional da Diabetes (IDF)

Critérios de divisão estatística do País: INE

Distribuição geográfica: selecção aleatória de 122 locais em 93 concelhos (Portugal Continental + Regiões Autónomas)

 

 

Sobre o estudo

Desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia – SPD através do Observatório Nacional de Diabetes, em conjunto com a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal – APDP, o Instituto de Higiene e Medicina Social da Faculdade de Medicina de Coimbra e com o apoio da Direcção Geral da Saúde – DGS, este estudo nacional (PREVADIAB) tem como objectivo saber a prevalência da diabetes em Portugal Continental e regiões autónomas, a sua caracterização e a prevalência dos factores de risco associados. Procurou também determinar-se na população, para além da prevalência da diabetes, a prevalência da hipertensão arterial, do excesso ponderal, das dislipidemias e dos hábitos de vida de risco. Foi ainda objectivo verificar a existência de diferenças entre as populações urbanas e rurais do continente e das regiões autónomas.

 

A diabetes no mundo

A diabetes é uma doença crónica em larga expansão em todo o mundo. Segundo os números da Federação Internacional da Diabetes – IDF, existiam em 2007 cerca de 246 milhões de pessoas com diabetes, prevendo a mesma fonte cerca de 380 milhões para 2025, um aumento global de 55%.

 

Valores anteriores em Portugal

Em 1995 as estimativas apontavam para cerca de 5.1% de diabéticos e em 2006 para cerca de 6.5%, e uma estimativa de 8.0% para 2025. Até esta altura as estatísticas oficiais baseavam-se em número extrapolados da Catalunha e no Inquérito Nacional de Saúde, realizado em 2006. O Estudo da Prevalência da Diabetes em Portugal é o primeiro dedicado exclusivamente à doença.

 

Sobre a diabetes

A diabetes é uma doença crónica que tem graves implicações a nível cardiovascular, renal, de amputações e/ou cegueira. Esta doença é já a quarta principal causa de morte na maior parte dos países desenvolvidos e, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 10 segundos morre uma pessoa vítima da doença. Ainda segundo dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde, esta patologia pode conduzir a uma redução da esperança média de vida, pela primeira vez em 200 anos.

 

 

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