Docentes de Portalegre atribuem maus resultados à desertificação e a contexto social e económico

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Os docentes do distrito de Portalegre apontam a desertificação e o contexto social e económico como os principais factores para os maus resultados dos alunos da região nos exames nacionais.

    “Numa região desertificada, existem vários problemas que conduzem a outros problemas e, como também não há desenvolvimento económico, esta situação acaba por acontecer com naturalidade”, considerou o presidente do conselho executivo do agrupamento de escolas de Nisa, José Bruno.

    Este agrupamento acolhe a Escola Básica 2.3 e Secundária Professor Mendes Remédios, estabelecimento de ensino que obteve na primeira fase de exames nacionais de Matemática do 12º ano um dos piores resultados, sendo também uma das escolas com a média mais baixa no conjunto das provas a 20 disciplinas do secundário analisadas pela Lusa.

    Na lista das classificações surge no último lugar a escola básica e secundária do Cerco, no Porto, com uma média de 7,2 valores, seguida desta escola alentejana, com 7,8.

    “É um ranking que não traduz os exemplos de sucesso que temos tido. Entristece-me esta leitura sem a respectiva contextualização desta região”, observou.

    “Porque razão é o Alentejo que se encontra nesta situação ou Bragança e não é a região do litoral?”, questionou.

    Para o delegado distrital do Sindicato de Professores da Zona Sul, José Janela, “o contexto social do distrito, onde se regista uma elevada taxa de analfabetismo, contribuiu também para este resultado”.

    De acordo com o sindicalista, “as turmas numerosas e os programas extensos” são outros dos factores que levam a obter estes resultados.

    Adriano Capote, professor de matemática na Escola Secundária de São Lourenço, em Portalegre, não se mostrou surpreendido com os resultados.

    “A região é pobre e cada vez está mais desertificada. Os suportes familiares dos alunos de Portalegre não são iguais aos de alunos de outras regiões mais ricas”, sustentou.

    O docente apontou ainda “algum desinteresse” por parte dos pais no empenhamento de melhores resultados porque a região tem como pano de fundo um contexto relacionado com o desemprego.

    Ana Carita, aluna do 10º ano na Escola Básica 2.3 e Secundária Professor Mendes Remédios, considerou por sua vez que os resultados obtidos pela sua escola nos exames nacionais são “pouco justos”.

    “Eu e os meus colegas ficamos tristes. Nós estudamos pouco, é verdade, mas não merecíamos este resultado”, considerou.

    Na opinião desta aluna que efectuou no ano transacto os exames nacionais de 9ºano o problema reside na “falta de motivação dos alunos”.

    A mesma opinião é partilhada por Rui Carita que também efectuou os exames nacionais referentes ao 9º ano.

    “Na minha opinião esse resultado que a escola obteve é indiferente porque a escola até é boa. O problema é dos alunos que não têm, nem estão muito interessados em ter um método de estudo”, concluiu.

   

    HYT.

    Lusa/Tudoben

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