Marvão: Venda extrajudicial do campo de golfe preocupa autarca local

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marvao_notPortalegre – O presidente do município de Marvão (Portalegre) mostrou-se hoje “preocupado” quanto à alegada venda do campo de golfe local, envolvido num processo de insolvência, através de uma acção extrajudicial que está em curso.

Em declarações à agência Lusa, Vítor Frutuoso explicou que está “preocupado” com a situação, uma vez que, no aviso emitido pelo Tribunal de Castelo de Vide, não se encontra mencionado que o futuro proprietário do espaço deverá “manter” aquela actividade desportiva.

“A possibilidade dos bens em causa virem a ser adquiridos por pessoa ou entidade com interesses meramente especulativos ou para uma utilização diferente da actual preocupa-me bastante. Esta questão não está salvaguardada no aviso”, declarou.

“Se isso acontecer, será uma questão fortemente penalizadora para o concelho de Marvão e para a actividade turística do Norte Alentejano”, sublinhou

No aviso emitido pelo Tribunal de Castelo de Vide, documento a que a agência Lusa teve acesso, lê-se que a base de licitação é de 551 mil euros e que os interessados deverão apresentar as respectivas propostas até sexta-feira.

De acordo com o autarca, existem vários investidores interessados na aquisição do campo de golfe de Marvão, entre os quais um empresário espanhol, mas que apenas está disposto a pagar até aos “500 mil euros”.

“O investidor espanhol não está disposto a pagar mais do que 500 mil euros, porque o valor que está expresso no aviso ultrapassa as possibilidades de sustentabilidade do negócio, uma vez que o espaço tem que ser reabilitado”, disse.

Inaugurado em 1997, o campo de golfe situa-se no centro de uma moldura única em pleno coração do Parque Natural da Serra de São Mamede, tendo sido considerado em 2000, pela Federação Portuguesa de Golfe, “O Campo do Ano”.

Ao abandono há alguns anos, costumando mesmo servir para as ovelhas pastarem, o golfe de Marvão tem adjacente o empreendimento turístico Aldeia D’Azenha, envolvido num outro processo judicial.

A empresa “The Edge Group”, ligada ao empresário Pais do Amaral, foi uma das interessadas no golfe de Marvão, mas suspendeu recentemente a compra por ter sido inviabilizada a aquisição do aldeamento turístico adjacente ao golfe.

“Nós suspendemos o negócio, uma vez que é impossível concretizar a transacção do empreendimento (aldeamento turístico) porque tem uma série de processos judiciais registados”, disse na altura à Lusa o administrador da “The Edge Group” José Luís Pinto Basto.

De acordo com o responsável, os processos foram interpostos pelos intermitentes compradores de fracções ao tempo da gestão do ex-governador de Macau Carlos Melancia (empresa Bevide) e outros que contrataram a compra dessas fracções com o Grupo Fernando Barata.

“Os processos judiciais estão em curso, registados no imóvel e não é possível fazer a transacção sem a permissão desses intermitentes compradores”, concluiu.

Segundo Vítor Frutuoso, se o campo de golfe for adquirido por uma entidade que não explore esta actividade turística o aldeamento turístico, financiado por fundos comunitários e pelo Fundo de Turismo, acaba também por “morrer”.

“Isto é chocante”, concluiu.

HYT.

Lusa/Tudoben

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