Mau Tempo: Morador de barraca em risco de ruir junto às muralhas de Campo Maior não ganhou para o susto (c/video)

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campo_maior_barracasCampo Maior, Portalegre, 06 Jan (Lusa) – Os moradores das habitações precárias em risco de ruir após a derrocada parcial da muralha do castelo de Campo Maior, Portalegre, não ganharam para o susto na madrugada de terça-feira quando tudo aconteceu.

“Eu estava dentro de casa, ouvi o barulho e quando olhei já estava tudo a cair. Estou com medo porque deve faltar pouco para que a barraca venha parar ao chão”, disse Manuel Oliveira à agência Lusa.

A pobreza, mas também agora a indignação, marca o quotidiano de mais de duas centenas de pessoas de etnia cigana que vivem em condições “impróprias” no interior das muralhas do castelo daquela vila alentejana.

A viver sem esgotos, luz eléctrica ou água potável, a grande maioria da comunidade cigana reivindica em uníssono e sistematicamente uma casa “em condições” para viver.

“Nós morremos aqui todos. Isto é uma ruína”, assegurou por sua vez à Lusa Maria Helena Monteiro, moradora numa das barracas que ficou afectada pela derrocada.

Entre as ruas estreitas e enlameadas, onde as crianças de olhar triste improvisam as suas brincadeiras junto do lixo acumulado, é possível também observar o avançado estado de degradação em que se encontra a antiga Igreja dos Mártires, construída no século XIII.

O mau cheiro, a roupa estendida junto às muralhas que remontam a meados do século XVII, são o “cartão de visita” com que se deparam os turistas que chegam de Espanha, pela estrada da antiga fronteira do Retiro.

O município de Campo Maior anunciou hoje que vai realojar provisoriamente em tendas as primeiras famílias afectadas pelo desmoronamento parcial das muralhas do castelo daquela vila alentejana.

Em comunicado a autarquia explica que as primeiras famílias, de um grupo de cinquenta que vivem naquela zona, vão ser ainda hoje realojadas em tendas instaladas na zona industrial.

De acordo com o município, esta tomada de posição deve-se à estreita colaboração do Governo Civil de Portalegre, o que permitiu encontrar uma resposta “temporária” às 50 famílias que vivem numa situação de risco “eminente”.

“O objectivo é encontrar uma solução temporária, mas é intenção da autarquia avançar com uma solução de alojamento definitiva pelo que será fundamental o apoio das entidades governamentais”, lê-se no comunicado.

O desmoronamento parcial do monumento ocorreu na madrugada de terça-feira, na sequência das fortes chuvadas que têm atingido a região alentejana nos últimos dias.

O município activou os serviços de Protecção Civil e ordenou o isolamento imediato da zona.

O presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Ricardo Pinheiro, vai também exigir ao Governo, através do Ministério da Cultura, uma intervenção imediata naquele monumento, datado do século XIV.

“Foi precisamente a sucessiva degradação do monumento e a passividade das autoridades centrais e também autárquicas (anteriores ao actual mandato) que permitiu a fixação de famílias ciganas naquela zona patrimonial, para além de agora a sua própria segurança ter sido colocada em risco”, acentua o comunicado.

HYT.

Lusa/Tudoben

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