Ministro quer resolver “problemas de fundo” do montado com novo centro nacional

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O ministro da Agricultura defendeu ontem a necessidade de resolver os “problemas de fundo” que afectam o montado, “símbolo máximo” da floresta mediterrânica que tem agora, no Alentejo, um centro nacional para a sua defesa e valorização.

    O ministro Jaime Silva inaugurou, na vila alentejana de Portel, distrito de Évora, o Centro Nacional de Valorização do Montado, organismo que, frisou, vai “dinamizar todas as vertentes” relacionadas com aquele ecossistema.

    Apesar de lembrar que a área de montado cresceu “três por cento”, quando comparada com 1995, o governante assegurou que tal não significa que os problemas que afectam aquela espécie florestal, como as mudanças climáticas e doenças que provocam a morte das árvores, tenham sido resolvidos.

    “Há problemas de fundo para os quais não temos resposta”, salientou, apontando a “grande falha” do Ministério, no passado, ao “fechar-se sobre si próprio, fazer estudos e não envolver as autarquias e os produtores”.

    Agora, segundo Jaime Silva, a estratégia por parte do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas “é outra” e assenta nas parcerias com municípios e produtores florestais.

    “Pretendemos fazer uma parceria com as autarquias e os produtores florestais no sentido de olharmos para o montado, não como um problema, como algo que esteja em declínio, mas pela importância que tem em termos ambientais e económicos”, disse aos jornalistas, após a cerimónia.

    Jaime Silva destacou também que, num momento em que estão disponíveis instrumentos financeiros e nova legislação para o sector, é “altura” de se dar, através de parcerias, o “empurrão que falta e tem faltado ao montado”.

    O Centro de Valorização do Montado, afiançou, não vai servir para “estar atrás de um balcão a atender os agricultores”, mas será antes “um centro de acção”, para dinamizar os investimentos e estar próximo dos produtores.

    Também o director do novo centro, Francisco Lopes, saudou a criação do organismo, que quer tornar o “local privilegiado de discussão de todos os actores da fileira”.

    “Desde meados do século passado que não existia, praticamente, um centro deste tipo, virado para as questões do montado. Era necessário. Hoje, toda a gente fala de problemas do montado, toda a gente fala de soluções, mas depois tentam sempre culpar alguém por coisas que não se fazem”, afirmou.

    Agora, com este centro, que será um organismo “desburocratizado e leve”, com não mais de “quatro ou cinco funcionários”, Francisco Lopes acredita que a “maior parte dos problemas” do montado vão ser resolvidos.

    “O que se passa são alguns problemas do montado, que os outros países resolvem e nós temos capacidade para resolver”, frisou, recusando falar em declínio do montado e garantindo que, se a investigação e o conhecimento produzidos nesta área não forem aplicados, “não servem para nada”.

    O director defendeu ainda que é preciso ir às propriedades dos produtores florestais e mobilizá-los para a aposta no montado, nomeadamente através da recuperação de algumas áreas, como nas serras do Algarve, Serpa e Portel e também na zona de Cercal do Alentejo.

    Já o presidente da Câmara Municipal de Portel, Norberto Patinho, congratulou-se com a instalação do centro na vila e lembrou a aposta do concelho relativamente ao montado, que conta com uma feira anual especializada, sustentando que todo o potencial deste ecossistema deve ser aproveitado para o desenvolvimento do Alentejo.

   

    RRL.

    Lusa/Tudoben

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