Despovoamento e envelhecimento vão manter-se nas próximas décadas, mas imigração pode “atenuar” cenário –

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O envelhecimento populacional e o despovoamento do Alentejo deverão prosseguir nas próximas décadas, mas este cenário poderá ser atenuado com a fixação de imigrantes na região, defendeu ontem uma investigadora da Universidade de Évora.

    “Inverter [esta tendência] é impossível. O cenário é dramaticamente este. Não temos qualquer hipótese de o reverter [nas próximas décadas], mas temos alguma hipótese de o atenuar e há que o fazer, tomar algumas medidas”, defendeu a professora Maria Filomena Mendes.

    A investigadora e docente do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora, especializada nas questões de natalidade e fecundidade em Portugal, falava aos jornalistas à margem de um seminário realizado ontem na cidade alentejana.

    “Construir pontes, aproximar mundos” foi o tema do encontro, que abordou a imigração no concelho de Évora, tendo a docente universitária discursado sobre “Imigração na Região Alentejo e influência na dinâmica populacional”.

    Segundo Maria Filomena Mendes, que se baseou em dados dos censos de 2001 e apresentou uma previsão até 2021, “aconteça o que acontecer, o Alentejo vai continuar a envelhecer”, porque o fenómeno, iniciado “há décadas”, está “quase no seu início”.

    “As migrações não podem alterar este quadro. É uma inevitabilidade. Não vamos ter outra hipótese senão um Alentejo envelhecido nas próximas décadas”, sublinhou.

    O despovoamento, o envelhecimento e o declínio populacional alentejanos, explicou, têm na sua base uma fecundidade “muito baixa”, uma “reduzida” mortalidade e a migração de naturais da região para outras zonas do país ou para o estrangeiro.

    “Este é um problema do país, não é só do Alentejo, mas no Alentejo é pior porque [a região] começou a reduzir a fecundidade há mais tempo e isso faz com que o conjunto de mulheres que atingem a idade de ter filhos seja cada vez mais pequeno”, destacou.

    A docente sustentou que a região, para tentar fazer frente a estas fragilidades demográficas, deve conseguir “conter a emigração” de habitantes, promover e incentivar a fecundidade das alentejanas – não apenas que aumentem o número de filhos, mas também que sejam mães mais cedo – e captar imigrantes.

    “A imigração para o Alentejo, seja de pessoas que vivem no país, noutras regiões, seja do estrangeiro, é fundamental. O Alentejo não se pode dar ao luxo de continuar a perder gente”, alertou.

    Maria Filomena Mendes reconheceu que a região, comparativamente com o país, ainda atrai um reduzido número de imigrantes, mas deve ter medidas de “discriminação positiva”, nomeadamente ao nível do emprego, para inverter essa tendência e captar, acima de tudo, jovens.

    “Para o Alentejo, é uma prioridade máxima atrair pessoas em idade activa jovem, que venham, fixem residência, casem e tenham filhos”, salientou, acrescentando que, por enquanto, os imigrantes que escolhem a região “não mantêm residência fixa por muito tempo”.

    Apesar de não se conseguir inverter o cenário nas próximas décadas, pois, o número de nascimentos, mesmo aumentando, será sempre inferior ao que haveria caso a fecundidade não tivesse baixado tanto, o Alentejo deve reflectir sobre estas questões e adoptar medidas, a nível regional e local, disse.

    “O futuro do Alentejo passa, necessariamente, por uma imigração mais forte”, com destaque para “pessoas jovens e, sobretudo, mulheres”, sublinhou a docente.

   

    RRL.

    Lusa/Tudoben

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