Moderna: Maioria dos alunos de Beja terá dificuldades em prosseguir estudos

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A “grande maioria” dos alunos do pólo de Beja da Universidade Moderna (UM) é trabalhadora-estudante e terá “muitas dificuldades” em prosseguir os estudos, após o fecho da instituição decretado pelo Governo, alertou hoje a Associação de Estudantes.

 “Para a grande maioria dos cerca de 100 alunos que vive, tem família e trabalha em Beja vai ser muito difícil, senão mesmo impossível, sair da cidade para terminar os cursos noutro sítio”, disse à agência Lusa David Simão, presidente da Associação de Estudantes do pólo de Beja da UM, denominado Estabelecimento de Ensino Superior de Beja (EESB).Este estabelecimento, que sucedeu em 2006 ao Pólo de Beja da UM, é actualmente gerido pela Sagesfi S.A, que estabeleceu um protocolo de gestão com a Dinensino, proprietária da UM e do alvará que tem permitido àquela sociedade ministrar cursos conducentes à obtenção de um grau académico.

    Os estudantes do EESB estão “alarmados”, sobretudo os dos cursos de Direito, porque “não têm alternativas viáveis na região para terminarem os cursos”, lamentou o aluno do 5º ano de Organização e Gestão de Empresas e a quem faltam “apenas duas disciplinas” para terminar o curso.

    “Muitos dos alunos já estudam com muito sacrifício e se tiverem que ir para fora de Beja para poderem terminar os cursos vai ser muito complicado”, frisou, salientando que “será pior ou até mesmo impossível no caso dos trabalhadores-estudantes”, que “não podem abdicar dos empregos”.

    “Esperamos que o ministro, antes de fechar a UM, encontre uma solução que permita aos alunos terminarem os cursos em Beja”, disse David Simão.

    Caso contrário, admitiu, “muitos alunos vão ser obrigados a abdicar dos estudos e a desistir de terminar os cursos, vendo defraudadas as suas expectativas de futuro”.

    O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, ordenou sexta-feira o “encerramento compulsivo imediato” da UM de Lisboa e dos cursos que a entidade gestora, a Dinensino, tem em funcionamento em Beja e Setúbal, considerando que a instituição se encontra “em falência técnica”.

    Segundo o ministro, os estudantes que “estiverem inscritos na UM de Lisboa e nos cursos ministrados em Beja e Setúbal até ao ano lectivo de 2007-2008” poderão “concluir os seus estudos noutros estabelecimentos de ensino superior públicos ou privados”, através do “recurso aos mecanismos legais de mudança de curso e de transferência”.

    Salientando que “as dúvidas são muitas” e que os alunos “não sabem o que fazer”, David Simão pediu “directivas mais claras” ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

    A Lusa visitou hoje o EESB, mas, de alunos, só encontrou David Simão, que justificou a “aparente calma” na universidade e a ausência de colegas: “As aulas ainda não começaram e, pelos vistos, nem vão começar”.

    Para o presidente da Câmara de Beja, que já lamentou a decisão do Governo de mandar fechar a UM, “o mais importante é que os interesses e as expectativas de futuro dos alunos devem ser acautelados”.

    “Espero que o Governo tenha em atenção a situação dos alunos e garanta soluções para poderem prosseguir os estudos e terminar os seus cursos”, disse à Lusa Francisco Santos, referindo que “Beja vai ficar mais pobre” se perder o EESB.

    Já o administrador do EESB, Chambel Vieira, mostrou-se “preocupado” com a decisão do Governo e alertou para o problema dos alunos, que “na grande maioria” são “locais”, “vivem e trabalham em Beja” e “não têm possibilidades de irem estudar para Lisboa”.

    “Isto é motivo de grande preocupação”, enfatizou.

   

    LL/FC/CMP.

Lusa/Tudoben

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