Tachos e panelas com mais de 200 anos expostos em Évora

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Tachos, panelas, frigideiras, assadeiras e batedeiras são exemplos dos cerca de 80 utensílios tradicionais de culinária, alguns com mais de 200 anos, expostos até domingo em Évora, nas instalações do antigo Real Celeiro Comum.

    A exposição “Utensílios Tradicionais de Culinária”, a cargo da Confraria Gastronómica do Alentejo, mostra peças dos séculos XVIII e XIX, em cobre, folha-de-flandres e porcelana.

    “São peças extraordinariamente antigas. Os cozinheiros actuais, se vierem aqui, ficam deslumbrados”, afirmou Manuel Fialho, presidente da Confraria Gastronómica do Alentejo, apontando para os utensílios necessários para a confecção de alimentos e doces.

    Nas vitrinas, expostas no Centro de Artes Tradicionais de Évora, nas antigas instalações do antigo Real Celeiro Comum, são mostradas formas para bolos e pudins, funis para os enchidos, cântaros, tigelas, uma balança decimal com pratos e respectivo conjunto de pesos, tabuleiros, chaleiras, chocolateiras e diferentes instrumentos, como corta-massas ou selos para marcar o pão nos fornos comunitários.

    “Hoje as máquinas fazem tudo, mas antigamente era uma arte fazer um biscoito ou uma bolacha, com a ajuda de alguns instrumentos, um deles para fazer fios de ovos”, lembrou o gastrónomo alentejano.

    Lamentando por, actualmente, haver “já pouca intervenção humana” na confecção de alimentos, “sem qualquer toque artístico”, Manuel Fialho congratulou-se por existirem ainda algumas mulheres que mantém a tradição, sobretudo na doçaria conventual.

    “As máquinas podem fazer o queijo, mas sem a marca do calor humano”, salientou o presidente da Confraria Gastronómica.

    A exibição de “utensílios antiquíssimos” permite também, segundo o presidente da Confraria Gastronómica, que os jovens da região possam “redescobrir o antigo mundo da cozinha”.

    “Nós falamos muito para os jovens, para eles terem conhecimento de que existiram estas épocas”, disse.

    A exposição “Utensílios Tradicionais de Cozinha” está patente até domingo no Centro de Artes Tradicionais, em pleno centro histórico de Évora, que resultou da adaptação do antigo Museu de Artesanato.

    O Museu de Artesanato abriu em 1965, nas instalações do Real Celeiro Comum, um edifício barroco que, no século XVIII, terá sido o primeiro depósito de trigo construído para o efeito em Portugal.

    Encerrado e ao abandono desde 1991, o museu foi recuperado e deu lugar, no ano passado, ao actual Centro de Artes Tradicionais, contando com um espólio superior a duas mil peças.

   

    MLM/RRL.

    Lusa/Tudoben

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