Executivo de Sócrates vai manter políticas e “com piores resultados”, diz líder do PCP

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jeronimo_sousaVendas Novas, Évora, 24 Out (Lusa) – O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, assegurou sexta-feira que o novo Governo de José Sócrates, apesar das “caras novas” que substituem os anteriores ministros “mais queimados”, vai manter as “políticas de direita”, com “piores resultados”.

“O núcleo duro das políticas de direita, no essencial, mantém-se. Obviamente, aqueles ministros mais ‘queimados’, foram substituídos por outros, que ainda têm que fazer prova mas isto não invalida a questão de fundo”, que é a de “um Governo de continuidade”, afiançou.

Jerónimo de Sousa falava aos jornalistas sexta-feira à noite, depois de um jantar convívio em Vendas Novas (Évora), com militantes e simpatizantes comunistas, onde abordou a composição do novo executivo do primeiro-ministro indigitado, José Sócrates.

“O que me surpreendeu mais foi a falta de surpresa”, ironizou o líder do PCP, quando questionado sobre os nomes do Governo que toma posse segunda-feira, esclarecendo que, ao utilizar a expressão “ministros queimados” do anterior executivo visou “aqueles que foram mais sujeitos à pressão e à luta social, ao descontentamento e ao protesto”.

Relativamente às “caras novas” do futuro Governo, Jerónimo de Sousa já tinha manifestado a sua convicção, no discurso aos militantes, que não vão provocar qualquer rotura no rumo de governação definido pelo primeiro-ministro.

Como exemplo, o líder comunista aludiu a António Serrano, natural do Concelho de Beja e até aqui presidente do Conselho de Administração do Hospital de Évora, que vai ser empossado como novo ministro da Agricultura, substituindo Jaime Silva.

“Mas o ministro a empossar vai fazer milagres, se Sócrates e o seu núcleo duro vão continuar a mesma política para a Agricultura? O homem não vai fazer milagres, com certeza”, disse.

O que vai acontecer, contrapôs, é que “os agricultores vão ficar desiludidos” mas o “principal responsável” dessas políticas será o primeiro-ministro.

“Não é com o homem [António Serrano, que devem ficar desiludidos]. Devemos demonstrar que o erro de fundo está na política de um PS que está sempre a afirmar-se de esquerda mas, no essencial, faz uma política de direita”, incentivou.

Rejeitando “ilusões”, o secretário-geral comunista frisou que não é com “este ou aquele retoque” que será encontrada a “solução para os problemas nacionais” e deixou no ar um cenário pessimista.

“Se é a mesma política, os resultados vão ser piores porque a situação” do país “está mais agravada no plano económico e social”, disse, avisando os portugueses que podem “esperar” do novo Governo “novos e mais pesados sacrifícios” e um “agravamento dos problemas nacionais”.

RRL.

Lusa/Fim

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