Música: Oumou Sangare em ritmo dançante canta sábado em Lisboa os direitos das mulheres e das crianças

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musicaA cantora maliana Oumou Sangare apresenta sábado em Lisboa o seu novo álbum, “Seya”, em ritmos dançantes, que reflecte as suas preocupações de sempre: “os direitos das mulheres e das crianças”.

“A música só pelo ritmo não é suficiente, é essencial fazer passar uma mensagem e essa é das injustiças de que as mulheres são vítimas e os direitos das crianças”, disse a cantora em entrevista à agência Lusa.

Considerada no Mali “a estrela das estrelas”, Oumou Sangare, 41 anos, canta no Centro Cultural de Belém.

“Canto o amor sensual, mas também interrogo a poligamia, o casamento forçado de menores, preocupo-me com estas questões”, sublinhou a cantora e compositora.

Usando o ritmo de dança “didadi”, a canção “Sounsoumba”, que inclui a flauta do músico Magic Malik, apela à harmonia no casamento e denuncia a prática de poligamia, por exemplo.

“Mogo Kele” é uma canção sobre a mortalidade, apelando à reflexão sobre a herança que se deixa às gerações vindouras, enquanto “Senkele te Sira'” encoraja as pessoas a darem atenção aos seus entes queridos.

O álbum é composto por 11 temas, todos cantados em bambara, um língua tonal, que além do Mali é também falada no Burkina-Faso, Guiné Conacri e Senegal.

“É uma língua nacional do Mali e a minha língua materna, da região de Wassoulou, e onde me sinto melhor a expressar o que sinto, além de ser uma língua muito musical”, referiu.

“Donso”, um dos temas de “Seya”, utiliza o ritmo desta região maliana e homenageia os seus antigos grandes cantores.

Para Oumou Sangaré, “a língua não é uma barreira ao entendimento, pois a linguagem da música é universal”.

Referindo-se a “Seya”, em que assina todos os temas, afirmou que procurou fazer um encontro da música tradicional com a modernidade, alertando para problemas da actualidade.

“A base é a música tradicional wassoulou e depois há a criatividade, minha e dos músicos que estão comigo como o Benego Diakite, Cheikh Tidiane Seck, que me ajudou nos arranjos, ou Massambou Wele Diallo [responsável pelos arranjos de cordas]”, disse.

O álbum que apresenta em Lisboa representa o regresso aos estúdios depois de seis anos de ausência, durante os quais se dedicou a “outras paixões e a um trabalho duro no Mali”.

“Sou de um país pobre, andei em digressão para conseguir dinheiro e construir um hotel no meu país, e ter uma empresa de importação de jipes, além de apoiar um orfanato em Bamako”, contou.

A cantora, embaixadora da UNESCO empenhada na luta contra a fome, já actuou em Portugal em 2007 no Festival de Músicas do Mundo de Sines.

“Conheço pouco da música portuguesa, só mesma Amália Rodrigues que é divina, também a compreendo sem entender a língua portuguesa”, disse.

O espectáculo de Lisboa insere-se numa digressão europeia que celebra os 20 anos do seu álbum de estreia, “Moussoulou”, que a tornou de imediato numa das mais artistas mais requisitadas da África Ocidental.

Com Oumou Samgaré sobem ao palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém Souleymane (cabaça), Sekou bah (guitarra baixo), Hamane Toure (guitarra), Brehima Diakite (kamele n’gomi – harpa de Wassoulou -), Zoumana Tereta (violoncelo), Aliou Dante (bateria), e Cheick Oumar Diabate (djembé).

NL.

Lusa/Fim

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